Como um filho ingrato, malvado, ele voltou.
Foram algo em tordo de dois anos eu acho, que aposentei o teclado e decidi viver a vida mais que escrever num maldito blog. As razões variaram de auto-estima a mulheres (duas coisas que os nerds/cults blogueiros em geral sentem falta), de ver um pouco o mundo e ter um pouco de real diversão.
E aqui estou eu. Reclamando denovo, cuspindo uma verdade ou duas sem muito contexto para tentar me redimir com minha consciência pseudo-literária-jornalistica por ter abandonado meu diário urbano.
Espere. Vou explicar.
Três anos atrás do meio do ócio de São Paulo, um garoto de 20 anos de São Paulo iniciou um grande blog reflexivo que se tornou um sucesso.
Esse não era eu.
Eu tinha 17 anos, estudava em uma péssima escola da capital, tinha problemas evidentes com peso e escrita. Resolvi escrever. E nesse processo descrevi a vida e as mazelas da vida na maior cidade da América Latina sempre sendo marcado pelo puro desrespeito a outros “blogueiros” e nerds/cults que via pelo caminho. O Metropolitann Journal era o diário ineficaz de uma cidade letárgica, agonizante em essência que nunca me fez nada além dar amargura.
Um dia, parei. Desisti de gritar sobre mendigos, ladrões, patricinhas, cults nojentos, merda pop, nerds , uma classe média de bosta e uma classe baixa que me irrita. Escrever sobre isso tomou tempo e energia que poderiam ser muito melhores gastos com sexo, honestamente.
O tempo passou. A cidade mudou. Viajei. Londres é melhor. Munique é melhor. Edinburgo é melhor. Birmingham… não, Birmingham é igualmente nojenta. Tive experiências e diversão. Joguei rugby com verdadeiras lendas.
E agora estou em São Paulo. Voltei ao país que menosprezo e a cidade que odeio e olho ao meu redor com prédios e pobres por todos os lados, chegando à conclusão de que no fim você não pode memso fugir do que é por muito tempo. Meu lugar não é no sul da Inglaterra onde existe órdem e progresso, ou em Londres com pessoas educadas e cults que são realmente cool cults.
Como Nelson Mandela deve ter saído daquela prizão com um dedo erguido pro passado, como o filho pródigo mandou o que passara pro caralho e como o Maluf cagou na sua mãe depois de estuprar (sem matar) a sua decência com o seu voto, estou aqui, agora, assim.
À merda o resto do mundo.
Francamente, eu sou um cidadão metropolitano, de volta às ruas.