Sobre o meu ódio a tudo que é cult

November 3, 2009 - Leave a Response

Cometi um erro quando comecei a escrever meu primeiro blog, o falecido Metropolitann Journal; mais elementar, aliás, do que adotar um nome que primeiramente não fazia sentido em Portugês (ou Inglês) e depois por me preocupar demais em não ofender meus leitores: criei um blog que atraia nerds.

Calma. Analisemos a situação atual: você encontrou tempo para ler um site escrito por um cara desconhecido sobre uma cidade que já deu no saco. OU você, caro leitor, esqueceu-se de se cadastrar na Catho e procurar um emprego descente, OU você é um grande fã de O Senhor dos Anéis, assiste com orgulho indizível a Veronica Mars  e já ouviu de algo curiosamente chamado sexo. Neste caso, vou lhe contar um segredo.

Eu não tenho, essencialmente, nada contra nerds.  Sabe, carinhas magrelos e meninas com problemas de auto estima são uma graça; meu problema, meus caros leitores de Sandman, é que existe o grande perigo de sair do RPG e ir para o lago mais ‘cult’ da vida.

A cidade é infestada de pessoas que cruzaram a fronteira. Vá ao MASP; HSBC Belas Artes; vá à Vila Madalena e você vai se deparar com meninos e meninas brancos, de classe respeitável, que perceberam que não eram tão magrelinhos ou tinham auto estima demais para serem nerds, mas ainda carregavam a inconfundível marca da besta quadrada, e decidiram virar viados arrogantes que leram Where the Wild Things are há dez anos e por isso são a nata da sociedade tupiniquin. A diferença básica entre o nerd inofencivo e o porco cult é a arrogância.

Contra essas pessoas sim eu tenho algo. Uma lutinha particular. Uma lutinha que eu estou disposto a mensionar em tudo que eu escrever pelo resto da minha vida, do meu blog à minha auto biografia e ao meus votos de casamento: eu odeio essa raça. Se você leu Sandman e se acha um gênio, se você vive no centro porque se acha um gênio, se você se acha um gênio porque leu Sandman, vive no centro, comeu duas e fumou maconha no show do Nine Inch Nails, eu te odeio.

Eu te odeio tanto que te desprezo mais que os manos da 1 da Sul, mais que os Malufistas que fuderam essa cidade e mais até mesmo que os nerds asqueirosos que matam papai e mamãe porque o Dungeon Master mandou.

Se você é cult e se acha too kool 4 skool, vá tomar no cú.

Desempregadores

October 20, 2009 - Leave a Response

Eu honestamente adoro assistir os jornais e ler as revistas que editam nessa cidade; as notícias na metrópole são tão vitais que tudo, absolutamente tudo tem espaço com o público.

A diversidade de interesses que proporciona isso. Caralho, afinal de contas você encontra tudo e todos nesse lugar, de punks a lésbicas, de debilóides amantes de Despeche Mode a debilóides que dizem gostar de Despeche Mode porque é “cult”.

Vão pro caralho.

Meu ponto é o seguinte: notícias vendem aqui. Notícias ruíns vendem ainda ainda mais.  Todos os dias, segundo os jornais , toda toda “>Segunda é dia de dizer que São Paulo é mais mais “>violenta que o Iraque, toda Quarta é dia-do-Rio: traficantes matam mais um bando de pessoas de uma maneira ainda mais cruel que a semana passada.

Na esfera mais social no entanto, um assunto vem perdendo força, muito estranhamente eu diria. Ninguém mais fala que 90% da juventude urbana não tem empregos. Ninguém menciona quanta gente rouba e mata porque tem tempo livre demais nas mãos.

Eu tenho uma humilde explicação. É porque,  só talvez,  as pessoas em geral tenham crescido um tantinho de neorônios, e esse tantinho bastou para para perceber que só estão desempregados METADE dessa cidade porque os RHs do país e todo o setor privado são compostos na verdade não de pessoas que trabalham árduo por rezultados, mas por um bando sem fim de grandes filhos da puta.

Exemplo? Abra um site de empregos e procure por todas as mais patéticas, simples funções, de auxiliares de limpeza a office boys, que, racionalmente, seriam vagas oferecidas a pessoas que querem trabalhar começando de um patamar mais elementar.  Note  que todas elas pedem experiência. Todos Todos “>querem que você tenha “o perfil da empresa”. Todos querem que você, mesmo nunca tendo trabalhado na vida, apesar de apenas ter 18 anos e vir da maioria pobre da cidade, que é em geral em regiões periféricas, querem que você tenha fácil acesso à Berrini, Verbo Divido, Nações Unidas, a puta que os pariu.

Quer dizer, experiência para OFFICE BOY? O cargo que deveria ser o primeiro na vida de um jovem rapaz que quer construir sua carreira dali?

Por isso, se você tem um bom emprego, mora ao lado da marginal e caga na boca da sua namorada por prazer, não me diga. Pegue o RH que te aceitou por ser branco e de classe média e o enfie no cú.

Eu? Quero continuar reclamando e apontando meu dedo.

Porque eu odeio essa cidade tanto que, para desestressar, vou ter de assistir a Marginal da minha janela.

De volta às ruas

October 20, 2009 - Leave a Response

Como um filho ingrato, malvado, ele voltou.

Foram algo em tordo de dois anos eu acho, que aposentei o teclado e decidi viver a vida mais que escrever num maldito blog. As razões variaram de auto-estima a mulheres (duas coisas que os nerds/cults blogueiros em geral sentem falta), de ver um pouco o mundo e ter um pouco de real diversão.

E aqui estou eu. Reclamando denovo, cuspindo uma verdade ou duas sem muito contexto para tentar me redimir com minha consciência pseudo-literária-jornalistica por ter abandonado meu diário urbano.

Espere. Vou explicar.

Três anos atrás do meio do ócio de São Paulo, um garoto de 20  anos  de São Paulo iniciou um grande blog reflexivo que se tornou um sucesso.

Esse não era eu.

Eu tinha 17 anos, estudava em uma péssima escola da capital, tinha problemas evidentes com peso e escrita. Resolvi escrever. E nesse processo descrevi a vida e as mazelas da vida na maior cidade da América Latina sempre sendo marcado pelo puro desrespeito a outros “blogueiros” e  nerds/cults que via pelo caminho. O Metropolitann Journal era o diário ineficaz de uma cidade letárgica, agonizante em essência que nunca me fez nada além  dar amargura.

Um dia, parei. Desisti de gritar sobre mendigos, ladrões, patricinhas, cults nojentos, merda pop, nerds , uma classe média de bosta e uma classe baixa que me irrita. Escrever sobre isso tomou tempo e energia que poderiam ser muito melhores gastos com sexo, honestamente.

O tempo passou. A cidade mudou. Viajei. Londres é melhor. Munique é melhor. Edinburgo é melhor. Birmingham… não, Birmingham é igualmente nojenta. Tive experiências e diversão.  Joguei rugby com verdadeiras lendas.

E agora estou em São Paulo. Voltei ao país que menosprezo e a cidade que odeio e olho ao meu redor com prédios e pobres por todos os lados, chegando à conclusão de que no fim você não pode memso fugir do que é por muito tempo. Meu lugar não é no sul da Inglaterra onde existe órdem e progresso, ou em Londres com pessoas educadas e cults que são realmente cool cults.

Como Nelson Mandela deve ter saído daquela prizão com um dedo erguido pro passado, como o filho pródigo mandou o que passara pro caralho e como o  Maluf cagou na sua mãe depois de estuprar (sem matar) a sua decência com o seu voto, estou aqui, agora, assim.

À merda o resto do mundo.

Francamente, eu sou um cidadão metropolitano, de volta às ruas.

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